Banho quente e fim dos baldes: moradora de Poá comemora chegada da água encanada após quatro décadas de espera
A desestatização da Sabesp estabeleceu como uma das principais metas a antecipação da universalização do saneamento para 2029 Foto: Divulgação/Governo de SP
Professora foi a primeira moradora da Vila São Francisco a receber água tratada na comunidade após obras da Sabesp
A professora Maria Helena da Silva, 58 anos, foi a primeira moradora da Vila São Francisco, em Poá, a receber em sua residência a água tratada da Sabesp, após cerca de quatro décadas de espera dos moradores do bairro.
A comunidade onde vive foi ocupada no final da década de 1990, mas somente no ano passado começou a receber as obras de saneamento, em um investimento de R$ 10 milhões que foi possível graças à desestatização da Sabesp, feita pelo Governo de São Paulo em 2024. A primeira parte da obra, com 5 km de rede de água, já foi entregue. Agora, a Companhia avança para completar a rede de coleta e tratamento de esgoto.
Dona Maria Helena, como é conhecida pelos vizinhos, mora com o marido no bairro há quatro anos, mas conhece bem a rotina do local. “Meu pai vive aqui há quase 30 anos com minha madrasta, então praticamente passei boa parte da minha vida aqui e conheço bem as dificuldades que todos enfrentavam sem água e esgoto”, disse.
Assim como seus familiares e vizinhos, ela também carregou muitos baldes de água para poder cozinhar, tomar banho e lavar roupa. “Antigamente, a água que chegava aqui vinha por uma mangueira clandestina, mas a água chegava sem força, era só um fio, e demorava 2 horas para encher uma garrafa”. Como sua casa é a última do bairro, explicou, só chegava água de noite. “Tínhamos que acordar de madrugada para aproveitar um pouco de água que chegava pela torneira, quando todos estavam dormindo. De dia, só enchendo balde em outro local”, disse.

Segundo Maria Helena, quando começaram as obras no bairro, ninguém acreditou que a água encanada chegaria às torneiras dos moradores. “Minha madrasta dizia que estava esperando esse dia há 20 anos e não acreditava mais. Eu acreditei e fui a primeira a ter água em casa. Quase não acreditei quando chegou, foi um sentimento de conquista para todos nós, após tantos anos”, afirmou a moradora.
A professora contou que o simples fato de ter água encanada mudou toda a rotina da família. “Agora temos banho quente, água de qualidade para beber, cozinhar, lavar roupa, vida normal, como qualquer outro bairro de Poá. E com a chegada do esgoto vai melhorar ainda mais.”
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Ela disse que o saneamento básico vai mudar outro ponto muito importante na comunidade: a saúde dos moradores. Segundo contou, há alguns anos toda a comunidade viveu um surto sério de dengue, com muitas pessoas doentes e hospitalizadas. “Eu peguei dengue e teve pessoas que morreram. As pessoas estocavam água em suas casas e o esgoto a céu aberto colaborava para a proliferação do mosquito. Muitos moradores ficaram doentes, foi muito sério”, afirmou.

