Emprego

Privatização da Celepar: férias prolongadas, respostas encurtadas

A novela da privatização da Celepar ganhou mais um capítulo digno de roteiro de série política brasileira — com direito a sumiço estratégico, audiência remarcada e, claro, um silêncio que fala alto.

Na audiência pública no Senado Federal, proposta pelo senador Sérgio Moro, o grande protagonista esperado, o presidente da Celepar, Gustavo Garbosa, não deu as caras. Motivo? Férias. Justo na hora de esclarecer questões sobre a segurança dos dados sensíveis dos paranaenses, protegidos pela LGPD, mas que podem parar nas mãos de empresas privadas com a venda da estatal.

Moro, insistente, reagendou a audiência para a segunda semana de agosto, depois do recesso. E adivinhe? Novamente, Garbosa declinou o convite. Nas palavras do senador: O diretor-presidente da Celepar foi convidado novamente para falar em audiência pública no Senado sobre as dúvidas em torno do processo de privatização da empresa estatal, mas não respondeu ao convite. Permanecem os questionamentos sobre a proteção dos dados estratégicos dos paranaenses armazenados pela Celepar e que serão transferidos para empresas privadas. Estamos estudando as providências cabíveis.”, afirmou.

Enquanto isso, o Comitê de Trabalhadores contra a Privatização da Celepar questiona o que parece ser uma estratégia de blindagem política. O que a gente vê é um malabarismo para evitar falar com quem realmente cobra respostas. Primeiro dizem que não podem ir, depois marcam audiência pública virtual. Estão evitando a todo custo contato e informações ao povo paranaense e as cobranças e manifestações que teriam caso fosse presencial. A população queria ouvir ao vivoPopulação quer saber também sobre esses contratos em inexigibilidade de licitaçãonuma clara tentativa apressada de privatizar a empresa antes do fim do mandato do governador Ratinho Jr.” provoca Paulo Jordanesson Falcão, representante do Comitê.

E por falar em audiência virtual, o Governo do Paraná marcou para o dia 3 de setembro uma audiência pública sobre o tema. Mas atenção: será totalmente remota e virtual. Por quê? Falta de espaço físico no Palácio Iguaçu? Problemas de agenda? Ou, quem sabe, medo de enfrentar perguntas incômodas em plena pré-campanha eleitoral do governador Ratinho Junior?

Enquanto isso, a principal pergunta permanece sem resposta: quem vai explicar, com todas as letras, como será garantida a segurança dos dados de milhões de paranaenses se a Celepar passar para as mãos da iniciativa privada? Pelo visto, a resposta vai ter que esperar… talvez até o próximo capítulo — ou até que as férias acabem de vez.

FONTE:Sumi Costa